Depende de mim

Postado em 04.17.2009 Comente!

Uma planta na varanda depende de mim. Violetas na janela dependem de mim. Alguns amigos dependem de mim. O êxito de uns 10 clientes depende de mim. Quase 3000 membros de uma comunidade na internet dependem de mim. Um cão depende de mim.

E quando eu estou fraco? E quando não consigo acordar? Plantas secam. Quando eu não consigo sorrir amigos reclamam. Não consigo produzir, trabalhos estouram prazos. E mais de 3000 pessoas me pressionam para deletar tópicos, ou por que eu deletei tópicos em uma crise de impaciência e depressão.

E se eu me for, meu cão, preso à coleira, sozinho, vai chorar. Vai chorar tanto e tanto, até que alguém desconfie que o choro não é normal. E então vai descobrir tudo abandonado.

Eu vou descer por essa estrada de terra, andando ao por do sol, sem olhar para trás. Cada latido será um suplício, pedindo, clamando para que eu fique. Já não tenho mais força. E mesmo que aquele uivo me doa demais, não tenho mais o que fazer… “Alguém te assume, meu amigo. Calma pois alguém vai te achar. Só não te soltei, pois você iria me seguir. Por favor me entenda”.

Quem descobrirá minha senha para avisar quase 3000 pessoas que eu cansei de tudo isso? Políticos, prostitutas ou coisas ainda piores invadindo, escrevendo o que quiserem, sem ninguém para apagar. Quase 3000 pessoas terão que migrar para outro playground, pois ninguém saberá como assumir o controle de alguém que se foi sem deixar a chave.

E eu descerei por essa estrada de terra, pois ninguém mora mais naquela casa no alto do morro. A grama cresce, vira mato, o campo some, as frutas estragam no pomar, pois ninguém mais colhe. Vou morrer de fome ou sede? Vou morrer de frio ou carência? Até onde vou conseguir descer por essa estrada de terra?

Quantas coisas eu acho que dependem de mim? Quantas é apenas ilusão pra me segurar aqui. Quanto tempo demora pra alguém notar que eu não entrei nunca mais no msn? Que aquele nome online é apenas a máquina sozinha, ligando e desligando diariamente, cumprindo seu papel, sem se importar se eu trabalho nela ou não. Assim como eu rego diariamente as minhas plantas que dependem de mim, sem me importar se dão flores ou não. Mecânico, escrevo sem saber se alguem lê….

Não amiga, não posso agora escrever nada sobre nós. Não há energia, eu estou cansado. Fiquei calado o tempo todo pensando o que poderia falar….. Não achei nada que parecesse fazer diferença pra alguém…. Pelo menos agora, não posso escrever nada sobre nós.

Quantos ventos dependem de mim, quantos sóis, quantas estrelas? Quanto mundo depende de mim? Quantos sorrisos dependem de mim? Quantos???….. Depende de mim!

Uma carta qualquer

Postado em 04.17.2009 Comente!

Eu gostaria de ser como você, para ocupar o tempo como quem enche vários copos d’água. Cheio de afazeres, um por dia, outro por noite, show, baladas, reuniões, jantares, nunca parada, nunca sozinha. De forma que ajude a esquecer inquietudes da alma.

Mas não sou, e espero que o tempo voe, pois é o que se espera quando se está agoniado. Agoniado, inquieto, esperando uma solução para um problema que não existe, ou que se desconhece.

Tenho andado ansioso, esperando alguma coisa qualquer acontecer. Esperando começar uma outra fase, como se a vida fosse um livro em capítulos. Como se isso tudo que eu não sei o que é estivesse pronto a se resolver, ou explodir e acabar de uma vez. Capítulo ou fim do livro….

Pega outro livro, pega outra coisa qualquer, pega uma carona que seja, que me leve bem longe daqui, para um lugar sem passado, sem nada nem ninguém que me impeça de viver novas aventuras…

Ta tudo parado, o céu azul parece cinza e uma música com letras reflexivas só toca pra cortar o silêncio e amenizar o nada. Nada de dia, nada de noite, nem de madrugada. As letras se encaixam de certa forma, falando de amores, filosofias, decepções, pensar, pensar, pensar, a ponto de não dormir….

E a insônia me deixa mais feio. E eu vejo anjos caindo, tropeçando no escuro, sem voar. Parecem distraídos…

Acho que estou mais louco que o normal. Não sei se vou mais. Não sei se fico, ou vou pra outro lugar qualquer. Não combino mais nada com ninguém, pois não sei se posso cumprir. Perco a disposição como se perde a tarracha de um brinco. Some, e talvez mágica a faça reaparecer… Ou se acabar o capítulo, ou se acabar o livro…

Ta cansada de ler tantos parágrafos sem nexo, mas continua, vai até o fim só pra ver se tem algum desfecho mais coerente!??? Sinto decepcioná-la. Não terá! Não terá nexo, talvez nem tenha desfecho….

Sinto decepcionar-me. Não vai acabar hoje…

Chato

Postado em 04.16.2009 Comente!

Chato é maçante por definição.

Maçante é algo que perturba, que bate, pinga insistentemente, incomoda…

Incomodar… Quando você aguça os sentidos ou tem por natureza os sentidos aguçados, qualquer mísero barulho passa a incomodar. Um pingo incomoda. Ainda mais se for maçante, repetitivo… Chato!

Para uma pessoa normal, um pequeno barulhinho de uma gota ou de uma garrafa vibrando dentro de um carro é quase imperceptível. Para uma pessoa com sentidos aguçados, é quase uma prova de resistência. Quase dá para visualizar a garrafa trincando lentamente de tanto bater no metal, até que enfim se rompe e sangra seu líquido para todos os lados.

Quando você está ferido, seus sentidos no local ferido ficam aguçados. Qualquer pingo d’água incomoda, arde, e se ficar pingando, pingando… Chato!

Desligar tudo também pode ser chato. Ficar em silêncio, não se manifestar. Muito chato.
Mas as vezes é necessário, para o chato não ser você…. Ignorar totalmente o fato da garrafa vibrando pode ser difícil, mas as vezes é menos chato. O segredo é abstrair.

Abstrair:
Por definição, avaliar isoladamente coisas que estão juntas. Ou, não levar em conta. Ou, para mim, as duas coisas simultaneamente. Pois minha técnica para abstrair um blablabla repetitivo, chato, que discordo e estou cansado de ouvir é exatamente tentar avaliar, isoladamente, o motivo daquele blablabla. Dai desligo tudo, fico em silêncio… Chato!

É engraçado, irônico até, uma chato silêncio como forma de abstração de uma chata repetição.

As vezes julgar é chato. Julgar de chato é chato. Abstrair-se de um fato óbvio mas sutil* para insistir em um julgamento é muito chato. Talvez muito mais chato do que o próprio chato julgado.

( *sutil para as pessoas normais, com sentidos não muito aguçados )

Discrepância Cultural

Postado em 04.16.2009 Comente!

Agora sou eu quem fico calado na mesa de um bar. Ouvindo atento a conversa alheia, tentando aprender alguma coisa. Alguma coisa francesa, além de meus filminhos pop americanos. Cultura mais útil sobre minha total inutilidade mental.

Olho para minhas latas de seleta de legumes enquanto legumes frescos são cozidos e picados com a faca mais afiada. O vinho doce de outrora, agora nem é mais demi sechi. É seco, cabernet, ou outros ets que não ouso pronunciar, como o nome de um bar em italiano.

Me sinto coagido, mas não coibido. Eu digo a mim mesmo que há uma discrepância cultural, e abro os olhos para ver o que tenho que aprender. E se alguém me dissesse, eu não me ofenderia, pois sei até onde vai minha cultura e sei bem até onde quero que ela vá.

De 28 a 30, de 30 a 34, as mulheres mais velhas são sempre mais velhas, e parece necessidade natural, instintiva tratá-lo como filho, mais do que como homem. Por que filho tem que aprender, ser educado, e não tem sexo. Mas é um prazer quase sexual calá-las com um silêncio sábio, deixando-as ser donas da situação, como um bom predador, se fingir de vitima.

Me vitimo sim, pela minha discrepância cultural, reclamada ontem, invertida e sofrida hoje, mas não humilhada ou ofendida. A vejo como uma corda sobre minha cabeça, que exige esforço mas me permite escalar. E escalo, acordo mais cedo para trabalhar e sair dessa situação de filho para virar homem. Vou buscar o que almejo, embora ainda seja tão obscuro o que eu realmente almejo.

O cheiro das mãos parece com o de minha mãe. A fumaça de cigarro trás o prazer e conota o ato inútil, sem compromisso, sem intensão de procriar, auto-destrutivo. Prazer por prazer, gozar por gozar, estar por estar, simplesmente, aguardando não sei o que. Estocando lágrimas.

Os textos são pra ser lidos, e serão. Pelo ontem, pelo hoje, e talvez até mesmo pelo amanhã. E me intriga como serei interpretado. Como será interpretado um texto assim tão duo, sem muito sentido.

É só um monte de palavras incultas, soltas ao mar que navego, só por que eu estou com vontade de gritar, então inibido, apenas escrevo bobeiras….

Destruidor de Mares

Postado em 04.16.2009 Comente!

Eu sou mesmo um homem bizarro, navegando por águas turvas procurando uma praia para atracar meu pequeno navio. Do mar eu vejo as costas, algumas com árvores portentosas, belas, areia branca, outras sem muito atrativo, com rochedos, que eu escolho pela segurança que parecem proporcionar.

Em algumas belas praias eu chego e descubro que não há frutos nas árvores, nem peixes para eu me sustentar. Então deixo e busco outras, e assim vou, de mar em mar.

As vezes de uma encosta eu consigo ver outra praia no horizonte e seduzido me ponho a navegar novamente, mas geralmente me iludo, e já é tarde pois a maré não me deixa voltar. Ou outras vezes até consigo voltar, mas geralmente destruo tudo antes de partir.

Sou um destruidor de mares, que busca a paz, que quer descansar em uma cabaninha simples, mas sempre acha que tem lugar melhor para construi-la e não sossego em minha busca.

Já achei praias com muitos peixes, lenhas e frutas, mas que eram feias, de areia pedregosa, desconfortável. Já achei praias de areia macia, mas com poucos recursos, e logo eu acordava faminto e não tinha o que comer. Já achei praias perfeitas e por esse meu ímpeto de desbravador, as abandonei, achando que conseguiria algo melhor, e quando voltei outro marinheiro já havia tomado posse.

Eu fico aqui, deitado na proa de meu pequeno navio, enquanto é noite e não enxergo nenhuma terra, olhando as estrelas e pensando nas praias que já estive. Fico enjoado com o vai e vem do mar e confuso, com vontade de atracar na próxima praia e me entregar ao destino. Me doar ao lugar sem examinar ou exigir muito, e morrer de fome, de frio, de cansaço ou devorado por feras locais se assim tiver que ser.

Por outro lado eu fico aqui olhando estrelas e me pergunto se, atracado não sentirei falta desse céu de alto mar, dessa sensação de liberdade, de poder ir e vir e ser dono do próprio destino…

A vida é tão confusa e eu preciso de respostas rápidas, pois estou agoniado e não posso mais destruir praias….

WATCH

Postado em 04.16.2009 Comente!

Eu só durmo quando você dorme. E quando começa a despertar, eu já estou acordado observando.

Te libero apenas em alguns momentos seus mais intimos que não me dizem respeito. Fora esses momentos, te sigo a cada segundo.

Quando imagina estar fazendo algo escondido, eu estou te assistindo e observando. Só não te delato pois quero te entender. Quero ver até aonde vai.

Quando sai eu te sigo, quando chega eu estou esperando. Estou viciado de uma maneira neurótica que faz minha audição se aguçar. Eu ouço sua mais tranquila respiração, e ouço ainda mais quando ela está eufórica em um ato secreto.

Cada passo, cada movimento, cada plano. Eu estou sempre alguns segundos em sua frente. Até a hora que eu cansar, daí você vai se surpreender.

Você desconhece muitas coisas que deveria saber antes de se mover em relação a mim.
Eu ouço além do silêncio, enxergo no escuro, e posso voar!

Discernimento

Postado em 04.16.2009 Comente!

Os problemas parecem estarem sempre reunidos, programando a hora certa de atacar. Em todos os setores, por todos os lados.

Outro dia pela manhã, eu chorei muito. Desespero momentâneo, sem saber o que fazer. Mas a luz irradia sobre mim, crava em minhas costas minha responsabilidade, minha sina e minha armadura. Discernimento e pureza que carregarei até o fim de meus dias na terra.

Ontem sai de carro e duas vezes eu vi duas meninas chorando. Duas ocasiões diferentes. Uma chorava contida, com suas dores escoltadas por duas amigas que a afegavam. Outra, um pouco mais tarde, andava sozinha, com óculos escuros no sol do meio dia. Chorava muito, quase desesperada. Tive o lapso de querer voltar, e abraça-la sem querer saber o motivo de suas lágrimas…. Raciocínio imediato, discernimento, segui meu caminho, estava tudo certo ali.

Quantas pessoas no mundo naquele exato momento choravam? Choros contidos ou choros desesperados. Choros como de minha mãe quando minha irmã partiu, ou como o de meu pai, na mesma ocasião… Quantas pessoas naquele momento choravam o fim de um relacionamento. Quantas crianças com joelhos ralados em brincadeiras? Quanta energia o mundo recebia naquele exato segundo por choros em toda parte?

Mas quantas pessoas riam, para o mundo não sucumbir naquele exato momento? Naquela mesma esquina, quantos sorrisos.. Na cidade, no País, quantas pessoas faziam amor, ou simplesmente transavam, irradiando orgasmos e prazeres intensos. Quantas pessoas choram e riem agora!?

O mundo é perfeito. É um equilíbrio excepcional e é necessário discernimento para enxergar no escuro. Compreensão e paciência para entender esse grande aquário de humanos, nadando em sinas e carmas, lições e provas. Cada um com suas dores e prazeres, motivações, pensamentos, intenções e ideais.

Se é minha hora de morrer, pode ser a hora de alguém matar. O mundo cuida e cria o nosso encontro. Se é minha hora de chorar, pode ser seu melhor momento, e você estará em meu caminho para segurar minhas mãos enquanto eu grito de dor.

O que eu busco hoje é paz! É saber discernir quando tenho que matar, ou quando tenho que viver. Me mexer, ou me resguardar apenas assistindo. Quero ter todos os sentidos a postos, aguçados. Perceber o mundo em todas as direções e ter a força divina para aceitar cada segundo com sua perfeição e equilíbrio magnifico.

Se eu chorar, quero ter a certeza que meu choro é assistido. Se eu lutar, quero estar certo de lutar pelo correto. Se eu parar, que minha inércia seja propícia e coerente. E que eu seja compreendido pelos outros e recompensado pela resolução da agonia.

Eu não tenho mais carmas a partir de hoje, mas cravo em minhas costas o símbolo do discernimento e pureza de espírito, para que não esqueça minha essência. Para que, mesmo sem carma, eu não esqueça que lutei muito para chegar até aqui, e mesmo já recompensado, não posso me aposentar agora. Ainda não. Eu cravo em minhas costas esse símbolo para ter discernimento, para lembrar que quando for minha hora eu terei a paz que mereço!

Instintos Primatas

Postado em 04.11.2009 4 comentários

O primata vive em bandos, mas geralmente esse bando é liderado por apenas um macho.

Todo macho tem a necessidade de liderar o bando. Mas só um tem o mérito. As fêmeas por sua vez, procuram machos que lhe dêem segurança e aparentem ter virilidade e força para provir boas caças. 

O macho digno tem que cuidar de todas as suas fêmeas, e mesmo que ele queira uma específica, ele tem que zelar por todas as outras. E por isso é tão difícil ele tomar atitudes de negação.

O macho não permite que outro macho se aproxime de seu bando e de suas fêmeas. Por instinto, ele ataca, hurra e tenta mostrar sua superioridade. Muitas vezes ele faz isso mesmo com as fêmeas menos desejadas. Alguns machos atacam a própria fêmea como meio de mostrar superioridade. Isso geralmente acontece quando o outro macho aparenta ser superior.

Quando uma fêmea não serve mais a um macho, alguns deles a expulsam do bando, mas geralmente, eles a mantêm por perto, protegendo e alimentando, mas a deixam a certa distância.

Os primatas são animais muito curiosos. Porém a vida deles parece banal. Acordar, caçar, comer e dormir… Algumas vezes eles caçam mais do que precisam. Geralmente para poder adquirir tempo livre para ficar com suas fêmeas (ou até mesmo conquistar mais fêmeas para seu bando), e copular… A ironia é que muitas vezes eles caçam durante tanto tempo que não conseguem tempo para seus prazeres.

Os primatas são bichos interessantes. Agem por instinto, brigam, comem, copulam, por puro instinto… 

São interessantes, mas têm uma vida um tanto patética. Ainda bem que somos racionais!

O Templo

Postado em 04.11.2009 Comente!

Algumas pessoas ficaram intrigadas com o meu Templo. Tiraram conclusões erradas, achando que é um lugar fictício, coisa da minha cabeça… Então vou explicar::

Templo por definição é um lugar de meditação, culto religioso. Um lugar construído para celebrar, rezar, meditar…

Meu templo começou a ser construido logo que comecei a dirigir. Eu tinha uns 16 ou 17 anos. Parei em um lugar muito lindo em Santa Rita, só pela sua beleza (vide foto) e passei a ir lá sempre. Sozinho, acompanhado, pra conversar, pra namorar, pra qualquer coisa…

Pode ser uma grande viagem minha, mas eu acho que a responsável por tudo isso é essa árvore. Então o que vou dizer a partir de agora é uma tese:

Eu sempre meditei muito nesse lugar, sempre fui muito feliz nesse lugar. A vibração do lugar (regida pela Árvore) entrou em sincronia total com a minha melhor energia e vibração. E assim esse lugar passou a ser mágico (por que energias causam efeitos que parecem magia).

Quando eu estou bem, eu vou lá para agradecer e contemplar tudo ao redor. Quando eu estou mal, eu vou lá e paro, pois meu organismo entra em sincronia com o lugar e meu corpo retoma a vibração enérgica boa que plantei lá.

Até ai pode ser psicológico de minha parte. Mas a mágica então, ilude seus visitantes. Quem vai lá comigo sente a magia. Mas nem sempre a magia é boa.

Se você entra em desacordo com o lugar, não deixa o lugar te levar, as vibrações suas e do Templo, ficam incompatíveis. O desconforto é perceptível, e vem em forma de medo. Passa-se a ouvir coisas (já ouvi pedras caindo do céu no pasto ao lado), pessoas aparecem do nada (pessoas de verdade, não fantasmas) e assustam, o clima fica insuportável e se torna impossível permanecer lá. Quando estou sozinho isso raramente ocorre, por que meu corpo já está condicionado a aderir a vibração local.

Mas se você se entrega, tudo acontece de bom. Esteja calor ou frio, a brisa torna-se a mais agradável possível. Estrelas cadentes caem incessantemente, nada te atinge, o medo some. Você fica invisível, a sua intuição se eleva muito. Você chega a conseguir prever acontecimentos (tipo se um carro vai virar na estrada ou passar reto). E isso te transforma e te deixa pronto para continuar a viver.. 

É como um carregador de baterias.

Muitas pessoas sentem algo parecido em igrejas e templos reais (por isso o nome), muito provável pelo mesmo motivo (a boa vibração cativada no lugar)

Enfim, é lá que eu encontro meus anjos, que eu converso com meu ego e resolvo meus problemas (ou adquiro energia e discernimento para resolvê-los). É lá que eu descanso no mundo.

O Milho e o Burro (Pedidos no Templo)

Postado em 04.11.2009 Comente!

No final do terrível ano de 2005, eu me recolhi ao meu Templo e pedi que não queria mais solidão. Não queria mais o fardo de anjo noturno, que fica sozinho esperando alguém precisar de ajuda…. Eu aceito meu fardo de anjo sim, mas se tenho livre arbítrio, não quero mais estar sozinho.

E como em meu Templo é aonde todos os Anjos se reunem para conversar, todos ouviram minha queixa e resolveram me atender. Meus poderes se multiplicaram pois, não mais sozinho, passei a ter mais energia. Logo, com mais energia, comecei a atrair muita coisa para perto de mim. Coisas de todas as formas. De problemas maiores para serem solucionados, a prazeres maiores para serem curtidos.

Porém, como dizia o tio de Petter Parker, “grandes poderes exigem grandes responsabilidades”, ou algo assim, e não estar mais sozinho estava me agradando mas também catalizou esse meu problema psicológico de buscar algo inatingível.

Graças a Deus eu magôo as pessoas de uma maneira que depois elas enxergam o bem de meus atos “ruins”. E graças a Deus elas chegam a mim e agradecem, me tirando a culpa e peso na conciência. Mas eu não gosto de magoa-las. Não gosto dessa frieza que me habita.

Sei que sou frio pois tenho uma missão. Como um médico. Tenho que ser frio para cumprir meu papel e manter minha índole. Muitas vezes cortando, ferindo, para rancar alguma cólera. Mas eu não gosto disso. Sofro muito com isso. Sofro muito nesse meio tempo, entre a frase fria e a compreensão. O tempo que a cicatriz fica na pele de quem eu corto. Esse momento em que eu viro um demonio, em que essa pessoa me odeia.

Eu lamento que meu desejo tenha sido atendido de maneira equivocada, pois eu não queria estar só, mas queria ter alguém único. Eu queria ser menos ocupado, menos ambicioso, menos exigente. Queria poder me entregar mais facilmente. Queria parar!

Entendo que meu pedido foi atendido dessa maneira, pois esse é meu fardo, e entao o que me consola é a minha missão, e que minha missão seja bem concluída. Talvez se meus desejos fossem atendidos como eu os peço, eu realmente pararia, porém eu tenho muito trabalho a fazer…

Enfim, tudo é como tem que ser, e essa busca feroz pela eterna volupia, o bem estar de estar vivo, que me magoa pois parece ser um defeito enorme, na verdade deve ser como um milho amarrado na frente de um burro para fazê-lo andar… Vou seguindo meu caminho.