O Milho e o Burro (Pedidos no Templo)

O Templo
11 de abril de 2009
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No final do terrível ano de 2005, eu me recolhi ao meu Templo e pedi que não queria mais solidão. Não queria mais o fardo de anjo noturno, que fica sozinho esperando alguém precisar de ajuda…. Eu aceito meu fardo de anjo sim, mas se tenho livre arbítrio, não quero mais estar sozinho.

E como em meu Templo é aonde todos os Anjos se reunem para conversar, todos ouviram minha queixa e resolveram me atender. Meus poderes se multiplicaram pois, não mais sozinho, passei a ter mais energia. Logo, com mais energia, comecei a atrair muita coisa para perto de mim. Coisas de todas as formas. De problemas maiores para serem solucionados, a prazeres maiores para serem curtidos.

Porém, como dizia o tio de Petter Parker, “grandes poderes exigem grandes responsabilidades”, ou algo assim, e não estar mais sozinho estava me agradando mas também catalizou esse meu problema psicológico de buscar algo inatingível.

Graças a Deus eu magôo as pessoas de uma maneira que depois elas enxergam o bem de meus atos “ruins”. E graças a Deus elas chegam a mim e agradecem, me tirando a culpa e peso na conciência. Mas eu não gosto de magoa-las. Não gosto dessa frieza que me habita.

Sei que sou frio pois tenho uma missão. Como um médico. Tenho que ser frio para cumprir meu papel e manter minha índole. Muitas vezes cortando, ferindo, para rancar alguma cólera. Mas eu não gosto disso. Sofro muito com isso. Sofro muito nesse meio tempo, entre a frase fria e a compreensão. O tempo que a cicatriz fica na pele de quem eu corto. Esse momento em que eu viro um demonio, em que essa pessoa me odeia.

Eu lamento que meu desejo tenha sido atendido de maneira equivocada, pois eu não queria estar só, mas queria ter alguém único. Eu queria ser menos ocupado, menos ambicioso, menos exigente. Queria poder me entregar mais facilmente. Queria parar!

Entendo que meu pedido foi atendido dessa maneira, pois esse é meu fardo, e entao o que me consola é a minha missão, e que minha missão seja bem concluída. Talvez se meus desejos fossem atendidos como eu os peço, eu realmente pararia, porém eu tenho muito trabalho a fazer…

Enfim, tudo é como tem que ser, e essa busca feroz pela eterna volupia, o bem estar de estar vivo, que me magoa pois parece ser um defeito enorme, na verdade deve ser como um milho amarrado na frente de um burro para fazê-lo andar… Vou seguindo meu caminho.

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